"Ler, escrever, estudar, é tudo o que eu sei. É tudo o que eu quero. Minto: também não me importo de ouvir música e ver televisão. Num bom sábado, num sábado qualquer, se o vento estiver de feição e a preguiça não abonar para este lado (coisa rara e nunca antes vista), sou até capaz de prestar um favor a alguém, desde que não envolva sair de casa, ou seja, sair do quarto, isto é, sair da cama. Mudar o mundo? Por amor de Deus, deixem-me primeiro aprender a fazer a minha própria cama." In Diário http://pif-paf.blogspot.com/2006/09/ir-luta-tens-de-ir-luta-dizem-me-desde.html
O texto é do DIÁRIO que é um exemplo de como nos pequenos nadas está o sentido da vida.
Das onze escolas em que leccionei esta é a mais organizada e funcional. Pelo que vejo - embora, ainda, veja pouco - há bom ambiente entre todos, há pc´s que funcionam e são acessíveis, há organização, a cantina é cinco estrelas e, não sendo isto tudo suficiente, a Severim de Faria localiza-se em Évora. Uma situação perfeita, não acham...?
Postar regularmente tem altos e baixos. Ora falta empenho, ora falta tempo, ora falta internet.
Mas desta vez tenho um motivo mais simples e nobre na explicação de tantos posts que não escrevi: ando feliz.
Secundariamente gasto o tempo a preparar aulas, seleccionar documentos, organizar acetatos e afins. Não ligo a mails (por enquanto), não espreito blogs (mais ao menos) e na escola quem quiser encontrar-me é no «Departamento de Geografia» ;)
"Conheci e palmilhei as Flores num tempo em que, nem de passagem, era fácil ser Português na Indonésia, e raras vezes senti com tanta intensidade na Ásia o peso da ancestralidade cultural e sanguínea portuguesa: aldeias, gentes, práticas, falas, faces - o que resta dos lançados, dos náufragos, e, sobretudo, das comunidades inteiras refugiadas na ilha após a queda de Malaca, carregando em barquinhos pelos mares dos Estreitos os seus santos, os seus turíbulos, os seus crucifixos, os seus pendões, as suas espadas e os seus morriões. Ainda os têm na Ilha as Misericórdias, as Confrarias, as famílias, esses Cunhas, Vasconcelos, Dias, Costas, Fernandes, Pereiras, e, sobretudo, o velho Rei de Sikka, D. Aleixo da Silva, ou aqueloutro ancião D. Álvaro Pereira que vi, seco, terso, fidalgo, dirigindo-se em altaneiro português quinhentista, aos mandarins que a Indonésia para lá exporta de Java. À falta de lá ir, que se leia ao menos a Presença de Portugal na Indonésia (FCG), da pena do diplomata ilustre que é António Pinto da França." In Je Maintiendrai http://jemantiaindrai.blogspot.com/2006/09/s.html
Um enorme abraço ao Nuno Leal. É bom, sabe bem, ver o Nuno Leal no "Caminho do Bem" com informáticas e guitarradas lá nos nortes da Europa [Vejam filme AQUI].
Agradeço ao João do actual 10SH que mandou um link interessante: a versão portuguesa do BLOG OFICIAL do Google Earth [Espreitem link AQUI].
À minha Pati agradeço a preocupação e bons conselhos - para variar os meus alunos leitores têm razão - e, já emendada a mão, sigo a numeração de aulas cá da escola. É claro que adoro as preocupações da minha Patrícia com bacoradas mas acontece que, estando mais uma vez no "Caminho do Bem", não vi nada de mal, vi, isso sim, respostas divertidas e engenhosas - muito curioso aquele teste diagnóstico... ainda falaremos dele nas aulas...
837
Relatório Crítico de Avaliação de Professor
Recordações de Penha de França, Lx. - 2
Escrevi cinco páginas de relatório. Cansado de mil e um documentos sem serventia, muito laudatórios e cheios de grandiloquência, optei por uma escrita numericamente descritiva e ligeiramente irónica.
Nos tempos de horário não lectivo, e, enquanto professor de POA (na dita "ocupação dos alunos"), assegurei a manutenção da secção de informática e um «informal» clube de alunos bloguistas que pouco tempo durou - apenas o primeiro período de aulas, tendo os poucos alunos interessados preferido almoçar a blogar, pelo que a debandada foi geral.
[ ... ]
Impressionou-me a atitude difusamente generalizada de indisciplina e falta de pré-requesitos de um número significativo de alunos; impressionou-me sobretudo a atitude de evitamento por parte de alguns alunos de tudo o que fosse trabalho e esforço continuado (coisas que os estudos necessariamente obrigam).
Impressionou-me a demagogia das «pedagogias diferenciadas» aplicadas a cada aluno com «plano de recuperação». Por exemplo, no primeiro período de aulas, os meus 229 alunos registaram 144 situações de possível retenção (igualavam ou excediam os três ou quatro níveis inferiores a três) que mereceram 144 «planos de recuperação», cada um com a sua «pedagogia diferenciada».
Nota:
Excertos adaptados do meu «Relatório Crítico» entregue no final do último ano lectivo.
836
Relatório Crítico de Avaliação de Professor
Recordações de Penha de França, Lx. - 1
No fim de um ano lectivo todos os professores entregam obrigatoriamente o seu «relatório» para suposta avaliação e respectiva progressão. Escrevi um de cinco páginas e entreguei-o ciente da sua inutilidade.
Neste ano que passou, tal como nos meus últimos doze (12) anos de serviço, não só nunca progredi como, ainda por cima, nunca passei de contratado à beira do despedimento-sem-causa. Enfim, o normal.
Avaliei 255 alunos. Sendo 229 alunos em Geografia mais 26 alunos em Área de Projecto. Executei 765 avaliações sumativas ao longo do presente ano lectivo. No final do ano tinha leccionado 554 aulas, distribuídas por 10 turmas, com dois tempos lectivos por semana para cada uma.
As avaliações formativas formalizaram-se por diversa espécie e número. Assim, os testes de avaliação escrita quantificaram-se em 1374 provas, com uma média de de onze questões por unidade obtive 15114 respostas para corrigir, sendo o seu impacto na avaliação individual do aluno contabilizado em 70% da sua nota sumativa. Os trabalhos individuais realizados em casa ou em aula oscilaram entre os 12 e os 16 ao longo do ano consoante as turmas (16 na turma 7-c), sendo o seu impacto na avaliação individual do aluno contabilizado em 15% da sua nota sumativa. Os cadernos diários foram avaliados num total de 765 avaliações, sendo o seu impacto na avaliação individual do aluno contabilizado em 5% da nota sumativa.
No fim do ano e considerando a totalidade dos meus alunos registei:
2 alunos com nível Não Satisfaz em Área de Projecto;
5 alunos com nível 1;
51 alunos com nível 2;
34 alunos com nível 4 (14 na turma 7C);
13 alunos com nível 5 (6 na turma 7C).
Nota:
Excertos adaptados do meu «Relatório Crítico» entregue no final do último ano lectivo.
Para os meus novos alunos um filme de apresentação rodado na Primavera deste ano, mas actual e bem intencionado. As condições ambientais roubaram-me as palavras e pouco se percebe mas, por isso mesmo, deram, às palavras sobreviventes, um «ar» perene e o «feeling» certo.
Já tenho turmas atribuídas - e por agora só disponho desta informação. Como há muito tempo que não lecciono no secundário ando a rever nomenclaturas legais, ler os novos programas e imaginar como dar umas aulas minimamente interessantes.
Geografia de sétimo ano: 7A, 7B, 7C, 7D
Geografia Programa A: 11ºSH2 e 10ºSH (Curso Ciências Sociais e Humanas)
Práticas de Acção Social: 11ºAS (Curso tecnológico de Acção Social)
Obrigado aos leitores, obrigado a quem escreveu comentários, obrigado à Teresa Pombo, à Rute Sousa, à Patrícia, ao Sertorius e à minha nova colega, que por enquanto não conheço, Prazeres.
Espero um novo ano escolar com mais dedicação à conversa com leitores e outros sites e blogs.
E acrescento mais isto: apesar do calor e falta de tempo ando cheio de vontades e ideias...
Desesperado com a incompetência e avidez da Netcabo fiquei sem net e sem e-mail. O já ido luisde@netcabo.pt é reposto como um geografismos@gmail.com.
No topo da coluna da direita está o link directo para este e-mail.
O Geografismos voltou a Évora na Secundária Severim de Faria. Começámos no Inverno de 2003 em Santa Clara, Évora. Charneca de Caparica em 2004. Lisboa em 2005. Aos melhores alunos do mundo, «aquele abraço».
Video-aulas feitas pelo Geografismos com blocos informativos de interesse muito limitado e filmes feitos com os alunos num registo curto e despachado.
Organizei playlists de filmes dedicados à ciência, geografia e educação. Na maior parte em língua inglesa mas de grande interesse didáctico.
Google Earth é ferramenta de estudo. Usa imagens de satélite com elevada qualidade para grandes escalas e é totalmente gratuito. Os seus ficheiros chamam-se .kmz e transformam o Google earth num SIG.
O ensino de Geografia está revolucionado, falta apenas exigir nas escolas uma sala ou laboratório devidamente equipados para a disciplina.
Almada Bi-Ci é uma campanha cívica dos alunos do Pinheirinho. Defendemos o uso de ciclovias, divulgamos o Plano Almada Ciclável que criará uma rede de 220km de ciclovias. Almada Bi-Ci, imaginando um Planeta Ciclável.